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terça-feira

Marceneiro larga profissão e lucra até R$ 800 ao mês vendendo água no RN

Enquanto a maior parte da população sofre com a falta de água nas cidades que estão com colapso no abastecimento no Rio Grande do Norte, alguns habitantes lucram. São pessoas como Aldo Aires Dantas, de 35 anos, que viu uma oportunidade de mudar de profissão em um momento de crise nos municípios atingidos pela seca. Morador de Carnaúba dos Dantas, cidade a 207 quilômetros de Natal, ele deixou há dois anos a marcenaria, que exercia desde a adolescência, e virou vendedor de água.
"Vi que as pessoas tinham dificuldade de comprar água potável. Faz tempo que não chega água pela rede de abastecimento da Caern (Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte), e resolvi começar a comprar água mineral de Natal para revender aqui", disse.
Aguá servida para os moradores de Carnaúba dos Dantas, no Seridó do RN, é esverdeada e cheira mau (Foto: Anderson Barbosa/G1)Aguá servida na cidade é esverdeada e cheira mau,
segundo moradora (Foto: Anderson Barbosa/G1)
O Rio Grande do Norte enfrenta a pior seca dos últimos 50 anos, com estiagem que já dura mais de um ano em diversos municípios, segundo avaliação do governo estadual. A falta de água mudou a rotina de milhares de famílias carentes do sertão, que são obrigadas a gastar boa parte do dinheiro que recebem de programas sociais para poder beber, cozinhar e tomar banho.
A Caern deixou de abastecer Carnaúba em novembro de 2012, quando também parou de cobrar a tarifa de água residencial.
Aldo tinha uma moto e investiu cerca de R$ 300 para adaptar um reboque no veículo. "Foi quando comecei a vender água vinda de Natal. Abasteço um tanque em casa e redistribuo aqui em Carnaúba. Na parte central da cidade, vendo um galão de 240 litros por R$ 18. Na zona rural, mais afastada, a mesma quantidade sai por R$ 23".
Com esses valores, Aldo diz que chega a lucrar R$ 800 por mês. "Antes, como marceneiro, recebia um salário mínimo. Com os descontos, ficava com cerca de R$ 500. Além disso, era empregado e tinha que dar satisfação aos meus chefes. Hoje, fico com R$ 800 por mês, já descontado o que gasto com a gasolina da moto", destacou.
Uma das clientes de Aldo é a promotora de vendas Robéria Danielle Dantas, de 27 anos. "Como não chega água pela tubulação, somos obrigados a pegar em caixas comunitárias a água para uso geral em casa e para tomar banho. Já a de beber, temos que comprar mesmo. Como acaba saindo muito caro, temos que fazer restrições. Eu, por exemplo, não tomo um banho de chuveiro à vontade faz mais de dois anos".

Fonte: G1

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