O Brasil enfrenta, ano após ano, tragédias provocadas por enchentes que afetam milhões de pessoas. Cidades em diferentes regiões sofrem com alagamentos, deslizamentos e perdas materiais e humanas. Basta lembrar episódios recentes no Brasil, como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, para perceber como esses eventos deixam marcas profundas — mas, com o passar do tempo, parte da indignação popular acaba sendo substituída por outras pautas do debate eleitoral.
Atualmente, as eleições gerais e municipais ocorrem em outubro. No entanto, esse calendário pode contribuir para que o eleitor vote meses após períodos críticos de chuvas, quando a memória das dificuldades enfrentadas já não está tão presente no debate público. Defender que as eleições ocorram em maio é propor uma reflexão sobre o vínculo entre responsabilidade pública e memória coletiva.
No primeiro semestre do ano, especialmente entre janeiro e março, diversas regiões do país enfrentam o auge do período chuvoso. Se as eleições fossem realizadas em maio, os eleitores ainda estariam com as experiências recentes das enchentes vivas em sua memória. Isso poderia estimular um voto mais atento à gestão urbana, ao planejamento ambiental, às políticas de prevenção de desastres e à fiscalização de obras públicas.
Mudar a data das eleições não resolveria, por si só, os problemas estruturais das cidades brasileiras. No entanto, poderia fortalecer a responsabilidade política, tornando mais difícil que gestores públicos negligentes escapem do julgamento popular apenas porque o tempo diluiu a revolta inicial. A proximidade entre o período de chuvas e o momento do voto poderia incentivar campanhas mais focadas em propostas concretas para drenagem urbana, moradia segura, infraestrutura e planejamento territorial.
Mais do que punir candidatos específicos, a ideia é fortalecer a consciência cívica. Uma democracia madura depende de eleitores informados e atentos às consequências das decisões políticas. Ajustar o calendário eleitoral para maio poderia ser uma forma de alinhar o momento da escolha com a realidade vivida pela população, incentivando votos mais críticos e baseados na experiência concreta.
Assim, discutir a mudança do mês das eleições não é apenas uma questão administrativa, mas uma proposta de aperfeiçoamento democrático, visando ampliar a responsabilidade dos governantes e valorizar a memória recente dos cidadãos no momento decisivo do voto.
Por: João Moacir

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