Marido de policial militar foi preso em flagrante pelos disparos e por posse de arma irregular. Policial civil atingido por tiro tem estado de saúde estável, segundo corporação.
Um cumprimento de um mandado de busca e apreensão na manhã de segunda-feira (22) na casa de uma policial militar, em Nísia Floresta, na Grande Natal, terminou com troca de tiros, um policial civil baleado e a residência atingida por diversos disparos.
O marido da policial militar acabou preso pelos disparos. Segundo a Polícia Civil, ele foi detido em flagrante pelos crimes de tentativa de homicídio contra agentes de segurança pública e posse irregular de arma de fogo.
Endereço errado
A policial militar Camilla Grazielle alegou que os policiais civis cumpriram o mandado judicial no endereço errado e que no documento constava o nome de uma pessoa diferente das que moram na residência. Ela alegou que a família também não conhece a pessoa citada.
A policial disse ainda que os policiais demoraram a se identificar como agentes de segurança, o que fez a família acreditar que se tratavam de bandidos invadindo a casa.
A Polícia Civil informou, em nota, que um dos endereços no mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça era o da casa da policial e que o suspeito foi posteriormente localizado em outro endereço também relacionado a ele (veja, no final da reportagem, a nota completa da Polícia Civil).
"A medida cautelar cumprida no imóvel decorreu de informações obtidas ao longo da investigação, que indicavam a existência de vínculo entre o alvo e a propriedade", informou a PC/RN.
A Polícia Civil informou ainda que os policiais observaram "todos os protocolos operacionais previstos nesse tipo de diligência".
"Houve identificação dos agentes como policiais civis, verbalização da presença policial e procedimentos de segurança para abordagem do imóvel", garantiu.
Segundo a Polícia Civil, o agente foi baleado na região do rosto, recebeu atendimento médico e tem estado de saúde estável.
A policial militar de 28 anos acionou o Ministério Público do RN na tarde da segunda-feira (22) para investigação do caso. O órgão não se manifestou.
Entenda o caso
A policial militar relatou que dormia em casa com o marido, o irmão e o pai quando o portão da casa foi derrubado. O pai, segundo ela, foi o primeiro a ouvir o estrondo do portão, viu uma pessoa em cima do muro, e correu para pedir ajuda.
Camilla Grazielle explicou que até este momento os policiais civis não haviam se identificado como agentes.
A família se trancou em um banheiro, e a policial pediu ajuda a colegas em um grupo da PM. Ao MP, segundo o documento ao qual o g1 teve acesso, a policial disse que a família acreditava que se tratavam de bandidos invadindo a residência, algo que já havia ocorrido em outra oportunidade.
"Nesse momento eu corri para dentro do banheiro. Meu irmão também correu para dentro do banheiro. Ficamos nós três deitados no chão. Meu esposo pegou a arma. E foi ele que ele ficou do lado de dentro [na casa]. Em nenhum momento a gente teve acesso só nada da área externa", falou a policial à Inter TV.
Enquanto a família estava trancada no banheiro, o marido da policial efetuou disparos com uma arma de calibre 12, ainda sem saber que se tratavam de policiais civis, segundo ela. Houve uma troca de tiros. Segundo a mulher, o marido deu quatro tiros.
Segundo a Polícia Civil, a espingarda de calibre 12 estava em situação irregular.
"Diante da injusta agressão, os policiais reagiram de forma proporcional para cessar a ameaça e preservar a integridade física dos agentes e das demais pessoas presentes", informou a Polícia Civil.
A casa da PM ficou com marcas de tiros na frente, na cozinha e teve até a geladeira atingida. O portão da residência foi derrubado.
Ao Ministério Público, a policial militar relatou que após a troca de tiros os policiais civis se identificaram como agentes de segurança, com gritos de "polícia". Segundo ela, o marido se entregou após a identificação dos policiais.
Camilla Grazielle disse que a família não viu a viatura que estava na frente do imóvel, apenas um veículo descaracterizado que estava na lateral, por uma janela.
"Na minha visão eu pensei: 'Realmente é bandido'. Porque não tem nenhuma viatura aqui. Nesse momento eu consegui correr na janela, eu disse: É' um carro branco, não tem nenhuma viatura aqui. Então realmente é bandido'. E foi por isso que ele atirou", relatou Camilla Grazielle.
A policial militar informou ao MP que os policiais civis estavam exaltados, que colocaram o pai e o irmão dela no chão e que pegaram todos os celulares.
A mulher informou que apenas neste momento foi informado que a ação era para o cumprimento de mandado de busca e apreensão.
Mandado de busca e apreensão
A policial disse que viu o mandado, mas que o endereço que constava não era o dela. A Polícia Civil disse que o endereço do mandado estava correto, mas que o suspeito foi preso em outro endereço onde houve cumprimento de mandado judicial.
Ao Ministério Público do RN, a policial disse que os policiais civis não forneceram cópia do mandado de busca e apreensão, mexeram nas câmeras de segurança do imóvel, tiraram o cartão de memória e ainda perguntaram pelo DVR, que é o aparelho que processa e armazena as imagens captadas pelas câmeras de monitoramento.
Fonte: G1-RN

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