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quarta-feira

'Era só ter dado umas mãozadas nela', afirmou homem para irmão que decepou mãos de mulher com foice

Irmãos estão presos desde 1º de maio, dia do crime. Ana Clara de Oliveira, de 21 anos, teve os membros reimplantados em cirurgia de emergência.
“Era só ter dado umas mãozadas nela pra ela respeitar as cara”, disse Ronivaldo Rocha, de 40 anos, para o irmão, Evangelista Rocha, de 34 anos, em um áudio enviado após eles atacarem a namorada de Ronivaldo. Ana Clara de Oliveira, de 21 anos, teve as mãos decepadas com uma foice no dia 1º de maio, em Quixeramobim. Os dois foram indiciados por tentativa de feminicídio.
O diálogo foi captado pela Polícia Civil após a quebra de sigilo dos telefones dos dois, autorizada pela Justiça do Ceará. No dia do crime, Evangelista usou uma foice para atacar Ana Clara a mando do irmão, Ronivaldo, que mantinha um relacionamento com a vítima há cerca de dois anos.
Após o ataque, Evangelista e Ronivaldo trocaram diversas mensagens, nas quais o mais velho afirma “a culpa toda vai subir pra mim” e repreende Evangelista pela violência extrema empregada. Além das mãos decepadas, Ana Clara sofreu cortes profundos em outras partes do corpo, como ombro, perna e cotovelo. "Era só ter dado umas mãozadas nela pra ela respeitar as cara”, completou Ronivaldo.
No relatório de indiciamento contra os irmãos, a Polícia Civil classificou a conversa entre os dois como uma prova "absolutamente clara que a violência física contra a vítima era encarada pelos investigados como mecanismo legítimo de imposição de submissão e respeito".
A investigação apontou que, na noite do crime, Ana Clara e Ronivaldo haviam ingerido bebida alcoólica e iniciaram uma discussão. Em determinado momento da discussão, Ronivaldo decidiu sair de casa, no que Ana Clara acertou o carro dele com uma pedra. A discussão continuou no meio da rua e foi captada por imagens de câmeras de segurança.
As imagens também mostram Ronivaldo correndo atrás de Ana Clara. Depois, ele desiste e vai embora. Cerca de 20 minutos depois, ele volta de carro, já com o irmão, Evangelista, que sobe o muro da casa. O mais velho, então, entrega a foice para o mais novo, que se aproxima da janela onde Ana Clara estava e pede para a vítima abrir e conversar. Quando Evangelista entra, começam os ataques.
Ana Clara foi socorrida após vizinhos ouvirem gritos de pedido de socorro e acionarem a Polícia e uma ambulância. Ela foi ubmetida a uma cirurgia de emergência de reimplante das mãos no mesmo dia e está em processo de recuperação. Os irmãos estão presos desde a data do crime.

Indiciamento por tentativa de feminicídio
Apesar dos golpes de foice terem sido executados por Evangelista, a Delegacia Municipal de Quixeramobim sustenta que Ronivaldo também é culpado pela tentativa de feminicídio uma vez que não só foi buscar o irmão para executar o crime, como chegou a entregar a foice que ele usou e, em determinado momento, chegou a gritar para Evangelista: "Pode matar ela, pode matar".
Quando Evangelista sai de casa com a foice usada para decepar as mãos de Ana Clara, Ronivaldo pergunta: "Tu matou?". Evangelista responde: “Sim, já era”. Na sequência, Ronivaldo afirma: “não era pra ter feito isso não, macho” e “tu acabou com a nossa vida”, no que Evangelista rebate: "tu que mandou, já era”.
Para a Polícia Civil, o diálogo "demonstra de forma inequívoca a plena ciência, adesão e participação direta de Ronivaldo na execução criminosa, além de revelar absoluta frieza e total ausência de qualquer preocupação com o estado da vítima, brutalmente mutilada e agonizando no interior da residência".
Ainda segundo a Polícia Civil, "a conversa mantida entre os investigados evidencia que, mesmo acreditando ter causado a morte de Ana Clara, em nenhum momento houve qualquer manifestação de arrependimento, socorro ou preocupação humanitária com a integridade física da vítima".


Fonte: G1-RN

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